A moda de fumar charros de hortenses

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«As conhecidas flores típicas da paisagem açoriana estão na moda em França e na Alemanha, pelos piores motivos: são usadas em charros para substituir a marijuana.

O problema, alertam os especialistas, é que fumar o talo e as folhas da Hydrangea macrophylla pode ser letal. É que a combustão destas partes da planta liberta cianeto de hidrogénio, um dos compostos usados pelos nazis na produção do gás com que matavam judeus nos campos de concentração.

Efeverde Mariano Sánchez, responsável pelo Jardim Botânico de Madrid, explicou ao El Mundo que o cianeto de hidrogénio se acumula no organismo e pode tornar-se ainda mais perigoso se associado ao consumo de álcool, uma vez que funciona como vasodilatador.

Este ácido está presente, em quantidades diminutas, em frutas tão inofensivas como a pêra abacate ou amêndoas amargas, mas também nos fumos resultantes de motores ou do tabaco. E é usado na indústria química, por exemplo, na produção de plásticos.

A evaporação desta substância a 20 graus provoca confusão mental, sonolência, dor de cabeça e náuseas e, em casos extremos, pode levar à morte.

Mas para alguns consumidores de drogas, as propriedades químicas das hortênsias são vistas como uma forma de conseguir charros baratos.

Nas últimas semanas, tem sido várias as notícias sobre furtos destas flores em jardins e cemitérios em França, sobretudo na região de Callais, e na Alemanha, na região da Baviera, para as consumir como droga.

Na semana passada, o The Guardian dava conta de uma operação policial no norte de França para apanhar um grupo que as autoridades identificavam como o “Gang das Hortênsias”.

Durante a investigação, a polícia concluiu que há grupos de jovens a secar as plantas, para as misturar com tabaco e fumá-las em charros.

Segundo especialistas citados pelo jornal britânico, o efeito será semelhante ao do Tetrahydrocannabinol (THC), uma substância presente na canábis, que provoca alucinações e uma sensação de euforia.

O jornal regional francês La Voix du Nord dava mesmo conta da existência de 20 queixas de furtos destas plantas na zona de Callais.

“om a crise, as pessoas tendem a virar-se para os produtos naturais, porque os sintécticos são mais caros” assumiu Frédéric Evrard, o porta-voz da Polícia de Nor-Pas-de-Callais em declarações ao Le Figaro.»

margarida.davim@sol.pt

http://sol.sapo.pt/inicio/Vida/Interior.aspx?content_id=98752

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