O Homem que Plantava Árvores | Jean Giono

O Homem que Planatava Árvores

O Homem que Planatava Árvores

Para que o carácter de um ser humano revele qualidades verdadeiramente excecionais, é preciso ter a sorte de poder observar os seus atos durante muitos anos. Se esses atos forem desprovidas de todo o egoísmo, se o ideal que os conduz resulta de uma generosidade sem par, se for absolutamente certo que não procuraram recompensa alguma e se, além disso, ainda deixaram no mundo marcas visíveis, estamos então, sem sombra de dúvida, perante um carácter inesquecível.
Pag. 7

O pastor, que não fumava, foi buscar um pequeno saco e despejou sobre a mesa um monte de bolotas. Pôs-se a examiná-las uma a uma com muita atenção, separando as boas das más.
Pag. 18

Ao chegar ao lugar pretendido, pôs-se a espetar na terra o varão de ferro que trazia. Fazia um buraco, onde punha uma bolota, e depois tapava-o com terra. Plantava carvalhos.
Pag. 25

Depois do almoço voltou à separação de bolotas. Devo ter sido bastante insistente nas minhas perguntas porque ele me respondeu. Há três anos que plantava árvores naquela região deserta, sozinho. Já tinha plantado cem mil das quais vinte mil já tinham nascido. Dessas vinte mil, ele ainda contava perder metade, devido aos roedores e a tudo o que há de imprevisível nos desígnios da Providência. Sobravam dez mil carvalhos que iriam crescer ali onde antes não havia nada.
Pag. 27

Quando pensamos que tudo aquilo brotara das mãos e da alma deste homem – sem quaisquer meios técnicos – compreendemos que os homens podem ser tão eficazes como Deus noutras áreas para além da destruição.
Pag. 34

Na descida de volta para a aldeia, vi correr água em regatos que, desde que havia memória, sempre tinham estado secos. Foi a mais formidável consequência da sua acção que me foi dada ver. Era preciso recuar até tempos muito antigos para encontrar memória de água a correr naqueles regatos secos.
Pag. 38

Quando penso que um único homem, reduzido aos seus simples recurso físicos e morais, foi suficiente para fazer surgir do deserto essa terra de Canaã, acho que, apesar de tudo, a condição humana é admirável. Mas, quando faço contas a tudo aquilo que foi necessário de constância, de grandeza de alma, de persistência, de generosidade, para alcançar este resultado, sou tomado de um imenso respeito por esse velho homem do campo sem cultura que soube levar a cabo esta obra digna de Deus.
Pag. 61

Elzéard Bouffier morreu tranquilamente em 1947, no asilo de Banon.
Pag. 62

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