Dentro do Segredo – Uma viagem na Coreia do Norte | José Luís Peixoto

jlpacheco

É assim em qualquer parte do mundo. Quem fiscaliza tem demasiado poder nos olhos. Se disser que viu, ninguém pode contradizê-lo.
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Sobre este aspecto, pediu que tomássemos cuidado no momento de fotografar estátuas ou imagens dos líderes, pediu que nunca lhes cortássemos partes do corpo. Os líderes deviam ser sempre retratados de corpo inteiro, dos pés à cabeça.
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Então, demonstrando com um exemplar do jornal, ensinou-nos a forma de dobrá-lo sem dobrar a fotografia do líder.
Pag. 36
kim

E o silêncio dos prédios de fachadas geométricas e cores tristes. Azul-cinzento, verde-cinzento, castanho-cinzento.
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Sem sorrir, com ar sério, a menina Kim disse que estava bom tempo porque se aproximava o aniversário do grande líder.
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Todas as flores em exposição eram kimilsungias ou kimjongilias.
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Kimilsungia
kimjongilias

A guia usava um vestido tradicional da cor das kimilsungias: mais ou menos cor-de-rosa. Outras guias e funcionárias do festival da cor das kimjongilias: vermelho-vivo.
Cheirei as kimilsungias e as kimjongilias. Não cheiravam a nada.
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A menina Kim, por exemplo, enquanto caminhava entre as estátuas do Monumento da Vitoriosa Guerra de Libertação da Pátria, nunca olhou directamente para o hotel Ryugyong que, recordo, estava ali ao lado e chegava ao céu.
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hotel ryugyong

A Coreia do Norte é o último reduto de alguma coisa, muito provavelmente também é o primeiro e único reduto dessa mesma coisa, mas não é estalinismo.
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A vida é tão efémera. A saúde é tão efémera. Estarmos aqui, em forma, mais ou menos contentes, a ler um livro, é tão transitório. A ler um livro, imagine-se. As forças da doença, se quiserem, subjugam-nos e aniquilam-nos em menos de um instante.
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Uma parte dessa multidão desfazia-se antes de nos aproximarmos. A maioria das pessoas apressava-se a fugir antes de chegarmos perto. Quando passávamos, estavam agachadas, protegidas por arbustos, escondidos, a olharem para nós.
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Uma parte dos dez hectares que constituíam o Campo Internacional era praia. Caminhamos até lá, foi-nos dito que tinham acabado de sair centenas de crianças na véspera e que chegariam centenas ainda nessa tarde. O grupo de estrangeiros com quem entre no país continuava dividido. Mais tarde, quando falei com os outros que visitaram o Campo de Songdowon noutro dia, contaram que lhes tinham dito exactamente a mesma coisa: centenas de crianças tinham saído na véspera e centenas chegariam nessa mesma tarde.
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Analisei a lista de canções disponíveis e escolhi Civil War, dos Guns n’ Roses. Por um lado, era a única que se aproximava minimamente do meu gosto musical: Por outro lado, não resisti a cantar em Pyongyang um refrão que diz: I dont’t need your civil war.
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