Corrupção | Luís de Sousa

corrupção1
«A diferença reside na relevância do problema de corrupção para os sistemas de legitimação das sociedades. A corrupção ataca a essência da democracia e os seus valores fundamentais (de igualdade, transparência, livre concorrência, imparcialidade, legalidade, integridade), valores que não têm o mesmo significado num país autoritário.»
Pag 12

«Entende-se geralmente por corrupção o abuso de funções por parte de eleitos, funcionários públicos ou agentes privados, mediante promessa ou aceitação de vantagem patrimonial ou não patrimonial indevida, para si ou para terceiros, para a prática de qualquer acto ou omissão contrários aos deveres, princípios e expectativas que regem o exercício do cargo que ocupam, com o objectivo de transferir rendimentos e bens de natureza decisória, pública ou privada, para um determinado individuo ou grupo de indivíduos ligados por quaisquer laços de interesse comum.»
Pag. 17

«Sempre que o passivo é detentor de um cargo eleito, a probabilidade de vir a ser condenado é quase nula.»
pag. 21

«A corrupção resulta da criação e manutenção de contextos complexos de socialização entre os actores, o que diminui em muito, a necessidade de linguagem explicita. Cria-se um clima de negócio assente em normas de reciprocidade entre as partes (a omertá); subentende-se o que é preciso fazer e conhecem-se os ganhos para cada um dos actores implicados. A corrupção necessita de confiança estratégica para que haja segurança de retorno.»
Pag, 31

«As teses do funcionalismo tendem a considerar a corrupção, e em particular a corruptela e o pequeno tráfico de influência, como um mecanismo paralelo de redistribuição de bens, serviços e benefício às populações que se substituem à incapacidade do estado de cumprir essa função. Deste modo a troca mútua (mas desigual) de vantagens e favores permite aos membros das classes desfavorecidas ultrapassar obstáculos adversos à satisfação das suas necessidades básicas.»
pag. 45

«Para alguns autores, existem diferenças significativas entre a ética protestante, católica, ortodoxa, judaica e muçulmana no que diz respeito ao peso moral da corrupção nos indivíduos. A maior tolerância dos católicos em relação à corrupção estaria embutida na fácil capacidade de arrependimento e de absolvição destes e no seu difícil entendimento do lucro e da riqueza em sociedade (Stulz e Williamson, 2003)»
pag 50

«A ineficiência e morosidade burocrática, que muitas vezes deriva de práticas de recrutamento e promoção sem mérito, orientadas, por interesses familiares ou partidários, não só põem a Administração Pública à mercê de todo os tipo de comportamentos abrasivos do interesse público, como desprestigiam a noção de “missão de serviço público”.»
pag 54

«O ideal que os portugueses têm de ”bom cidadão” – passivo na participação cívica. Moderado no compromisso social e muito prático na valorização normativa – demite os índividuos do controlo e participação social na vida pública, ao mesmo tempo que permite desmascarar um certo cinismo, relacionado com o que eles afirmam fazer e o que realmente praticam. O conceito de cidadania praticada no nosso país é ainda muito centrada na óptica dos direitos individuais, e menos nas responsabilidades / deveres colectivos.»
Pag. 104

Esta entrada foi publicada em Livros. ligação permanente.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s