O Príncipe | Maquiavel


«Digo, por conseguinte, que os Estados que, depois de conquistados, se juntam ao antigo Estado de quem os conquista ou são da mesma nação ou da mesma língua ou não são. Quando são, é mais fácil conservá-los, sobretudo quando não estão acostumados a viver em liberdade; e para os possuir com toda a segurança basta ter extinto a estirpe do príncipe que os governava, porque, quanto ao resto, se as condições antigas se mantiverem e não houver disparidade de costumes, os homens viveram pacatamente: como se viu que foi feito na Borgonha, na Bretanha, na Gasconha e a Normandia, que há tanto tempo têm estado com com a França; e, embora existam algumas disparidades de línguas, os costumes são semelhantes e podem conciliar-se facilmente.
E quem conquista tais Estados e os quer conservar deve tomar duas preocupações: uma é extinguir a estirpe do antigo príncipe; a outra é não alterar a lei nem os impostos: assim, o novo principado depressa formará um único corpo com o principado antigo.
Mas é quando se conquistam Estados numa região diferente na língua, nos costumes e nos governos que há dificuldades; e, nesse caso, há que ter muita fortuna e grande engenho para os conservar. E um dos melhores remédios, e de resultados mais imediatos, seria que o conquistador por lá fixasse residência. Isso tornaria a posse mais segura e mais duradoira: como o grão-turco fez na Grécia; com todas as medidas que adoptou para conservar aquele Estado, não era possível conservá-lo se por lá não tivesse fixado residência. Porque, vivendo nos estados conquistados, vê-se nascer as desordens e depressa se pode pôr-lhes cobro; não vivendo, só delas se têm conhecimento quando já são de monta e já não há remédio. Além do mais, a região não pode ser pilhada pelos seus ministro; os súbditos ficaram satisfeitos com a proximidade do príncipe, pelo que têm motivos para o amar, se ele quiser ser bom, e para o temer, se o não for.»

Pag. 16 e 17

«Porque é sempre por medo ou por ódio que os homens ofendem os outros.»

Pag. 42

«E engana-se quem acreditar que os novos benefícios podem ajudar as grandes figuras a esquecer as ofensas antigas.»

Pag. 43

«Porque as injúrias devem fazer-se todas de uma vez, para que, havendo menos tempo para as sofrer provoquem menor dano; e os favores devem fazer-se a pouco e pouco, para melhor se saborearem.»

Pag. 49

«Daí que nasce um dilema: será melhor ser amado ou temido ou o inverso? Responderei dizendo que seria desejável ser ambas as coisas; mas, como é difícil conciliá-las, é muito mais seguro ser temido do que amado, se só se puder ser uma delas.»

Pag 86

«Porque não há outra forma de te defenderes da adulação senão dar a entender ás pessoas que não te afrontam por te dizerem a verdade; mas se todos puderem dizer-te a verdade, deixas de ser respeitado.»

Pag. 117

«… o mar abriu-se, uma nuvem mostrou-vos o caminho; da pedra jorrou água; choveu maná do céu; tudo contribuiu para a vossa grandeza. O resto tereis que ser vós a fazê-lo. Deus não quer fazer tudo, para não vos privar do livre-arbítrio e do quinhão de glória que nos cabe.»

Pag. 129

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