O VINHO DE PAULA REGO QUE FICOU SEM RÓTULO

p.rego
 
«Têm títulos como A Hora do Recreio, Dois Amores, Demasiado, Vómito ou O Fim da História e são fragmentos possíveis de uma narrativa sobre O Vinho que não poupa homens, mulheres e crianças. De uma crueza desarmante, a nova série de litografias de Paula Rego é hoje inaugurada em Lisboa, na Galeria 111.

Tudo começou com o convite de uma empresa vinícola portuguesa para a criação de um rótulo. Entusiasmada, a artista apresentou três hipóteses. Em duas delas, representou mães e bebés embriagados. Na terceira, colocou uma figura de fato, sentada, de copo na mão. Junto aos pés tem a garrafa, já entornada.

A empresa não gostou e cancelou de imediato a encomenda. Chegou mesmo a pairar a ameaça de processo judicial. E Paula Rego, em conversa com o escritor João de Melo, resolveu dar outro rumo ao projecto.

Assim nasceu esta série de nove litografias, que ilustram – embora sem referências directas à história – o conto O Vinho, escrito por João de Melo em português, traduzido para inglês por Paula Rego e Anthony Rudolf, e editado pela Dom Quixote.

"No conto de João de Melo, a bebida não representa um desvio, mas antes a assunção de outro compromisso com a vida: um modo de despertar que se traduz numa nova liberdade e numa lufada de ar fresco em termos de voz narrativa", pode ler-se na introdução da obra, cuja personagem principal, que gosta de beber ao final do dia na companhia de dois amigos e um taberneiro, nos leva a descobrir os "deliciosos e únicos segredos do vinho".

Já apresentadas, no ano passado, na galeria Marlborough de Londres e na Galeria 111 do Porto, estas nove provas de artista têm preços que oscilam entre 3200 e 4537 euros, IVA e comissões incluídos.

"A Paula Rego sempre trabalhou em gravura, mas de há uns anos para cá elegeu a litografia por achar muito sensual o desenho na pedra", recorda ao DN o galerista Rui de Brito, que complementou a exibição de O Vinho com litografias anteriores, designadamente, das séries Jane Eyre e O Príncipe Porco.

A artista não virá à inauguração porque está em Londres, onde vive, a ultimar as próximas exposições: no Museum of Woman in the Arts, em Washington (a 31 de Janeiro, com parte das obras exibidas na retrospectiva de Madrid) e no American Folk Art Museum e Galeria Marlborough de Nova Iorque (em Abril).»

in Diário de Notícias | 19 de Janeiro de 2008

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