Bombix mori

Foram os chineses, cerca de 2600 anos a. C. quem primeiro se apercebeu que com a secreção filamentosa de uma lagarta podiam fabricar um tecido leve e delicado. Este tecido durante séculos foi comercializado na Europa vindo da China por um percurso que foi designado por Rota da Seda. A lagarta (Bombix mori), que se alimenta exclusivamente de folhas de Amoreira, tece o seu casulo durante 3 a 5 dias; ao fim deste tempo encontra-se completamente escondida dentro dele, tendo perdido neste processo cerca de 50 % do seu peso. Se não ocorrer intervenção humana após duas ou três semanas o processo de metamorfose vai dar origem a uma borboleta. Contudo, nas explorações comerciais os casulos, de cor branca ou amarela são recolhidos, e mergulhados em água quente para matar a crisálida e para retirar uma espécie de cola que une os fios uns aos outros. Só desta forma os filamentos não são rompidos, o que não acontecia com a saída da borboleta se fosse permitido o seu desenvolvimento completo. Posto isto os finíssimos filamentos (com 800 a 1500 metros de extensão), que a lagarta tinha enrolado para dar forma ao casulo são agora desfiados e enrolados na forma de uma meada. Estas meadas são objecto de várias lavagens e secagens para as tornarem mais brancas. Estando finalmente prontas para serem usadas no processo de tecelagem, geralmente associadas a outras fibras como o algodão e a lã. Em meados do século XIX a sericicultura sofreu um duro golpe com a doença da pimenta-preta “pebrine” que desbastou um número elevado de colónias de bichos-da-seda; valeram nessa época os trabalhos de Louis Pasteur, que identificou a doença e desenvolveu técnicas para o seu combate, evitando o desaparecimento desta indústria na Europa. A descoberta, no século XX, de fibras sintéticas baratas, feitas a partir de petróleo, foi um rude golpe na indústria da seda, que contudo continua a existir, agora espalhada por todo o mundo e não apenas na China, mas vocacionada para produtos têxteis mais luxuosos.

“Se há coisa que tenho aprendido com os bichos-da-seda é que o ódio não faz falta neste mundo. À tardinha, recolho folhas frescas das amoreiras que se alinham ao longo da estrada nova, ao pé da escola ou da junta e guardo-as num saco de plástico transparente que levo dobrado no bolso de trás das calças de ganga. Quando chego a casa, abro as caixas de sapatos e disponho um par de folhas em cada uma. É à farta. Os bichos-da-seda  regalam-se.”

in Abraço, José Luís Pacheco, pag.591

 

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